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História Geológica da Bacia de Campos

A Bacia de Campos, com sua área de aproximadamente 100.000 km², situada na costa norte do estado do Rio de Janeiro e sul do Espírito Santo, é uma região geologicamente rica e estratégica para a exploração de petróleo. Ao longo dos anos, diversos campos de petróleo foram descobertos e explorados nessa área, cada um com sua história geológica e características distintas.

A história da formação da Bacia de Campos está inserida no contexto da fragmentação do supercontinente Gondwana, quando os continentes africano e sul-americano começaram a se separar, há cerca de 130 milhões de anos. Nos estágios iniciais dessa ruptura continental, ocorreu um grande evento magmático que formou espessas camadas de rochas vulcânicas que, acrescidas ao escudo cristalino pré-existente, recebem o nome de embasamento (em cinza escuro).

À medida que os continentes se separavam, grandes lagos se formavam. Nas regiões profundas, ocorria a sedimentação de argila e restos orgânicos, resultando na formação de folhelhos abundantes em matéria orgânica. Ao longo de milhões de anos, sob condições de pressão e temperatura, esses folhelhos passaram por transformações físico-químicas, resultando na geração de hidrocarbonetos. Já nas regiões rasas dos lagos, ocorria a formação das rochas carbonáticas, que viriam a se tornar as rochas reservatórios do pré-sal (em azul). A migração do petróleo ocorreu através de falhas e fraturas, até as trapas localizadas sob o sal, formando os reservatórios do pré-sal (em preto), como encontrados em Albacora Leste, Itaipu e Wahoo.

Com a contínua fragmentação do Gondwana, houve as incursões marinhas que introduziram sais na região, transformando os lagos em ambientes salinos. Durante períodos de aridez, esses lagos evaporaram repetidamente, resultando na formação da camada de sal que posteriormente selou o sistema petrolífero do pré-sal. Com a deposição das camadas sobrepostas, o sal (em branco) sofreu deformações, devido ao seu comportamento plástico no tempo geológico, até chegar à atual configuração estrutural de domos e diápiros.

No estágio inicial de formação do Oceano Atlântico, em um ambiente marinho raso, diversos tipos de sedimentos próximos à costa foram depositados na Bacia de Campos. Este período foi marcado pela formação de plataformas carbonáticas (em azul-esverdeado), como encontrados nos reservatórios de Polvo e Tubarão Martelo.

Já em períodos de alto aporte sedimentar ou nível de mar baixo, ocorreu a deposição de sedimentos continentais em águas profundas. A deposição dos arenitos turbidíticos (em amarelo) ocorre através de canais submarinos que levam sedimentos da plataforma continental até porções abissais dos oceanos. Os reservatórios encontrados em Albacora Leste, Frade e Polvo são resultantes desse processo de sedimentação que ocorreu desde o final Cretáceo (em verde), Paleoceno (em cinza claro) até o Mioceno (em marrom escuro). Já do Plioceno (em marrom claro) até os dias atuais ocorre principalmente a sedimentação de argilas e turbiditos.

Os campos da PRIO, com suas distintas idades geológicas e características de reservatórios, representam a complexidade e a riqueza geológica da Bacia de Campos. Ao desenvolver e compreender sua geologia, podemos melhor aproveitar os recursos petrolíferos desses campos, contribuindo para o desenvolvimento econômico e energético da região e do país.